Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007

Arquitectura e Humanismo

A qualidade do ambiente tem vindo a ser destruída no mundo inteiro e também em Portugal. O equilíbrio entre a cidade e o campo, as relações de harmonia entre paisagens naturais e a arquitectura dos espaços urbanos já começam a ser, em muitos sítios, uma recordação de tempos passados. No entanto, no nosso país ainda existem locais – santuários, praças públicas ou simples terreiros em aldeias humildes – que testemunham o sentido da arquitectura e que são fontes de inspiração para as gerações seguintes. A arquitectura tem, portanto, o poder de evocar o sentido do tempo, do lugar e das pessoas – pessoas sem as quais nada teria sentido. Pode dizer-se que o homem traduz na arquitectura e que esta, por sua vez, se traduz em valores humanos. Mas de que humanismo se trata? E será que se pode concluir que o liberalismo é o grande responsável do mais recente humanismo?
No processo de transformação urbana que estamos a viver, o arquitecto está a ser utilizado em função de interesses essencialmente comerciais e especulativos – fora da sua vocação e aptidão ética. É natural que, nesta situação, o arquitecto se interrogue sobre a forma como deve actuar e sobre qual deve ser o seu papel no seu país. Vivemos numa época de cepticismo, face às ameaças que se colocam no horizonte: onde estão os novos ideais e as utopias que alimentam o sonho do homem?
Quanto a nós, mesmo sendo o arquitecto um demiurgo, a sua actividade nunca poderá deixar de ser uma arte social – sob pena de nada ser… Para o bem e para o mal, o arquitecto nunca poderá de deixar de viver, no terreno, todas as contradições resultantes do confronto entre vários interesses. Cabe ao arquitecto captar o espírito de cada lugar e, embora com outras funções ou diferentes materiais, manter intacto o seu encantamento – de fórmula química desconhecida –, estimulando a troca de experiências entre pessoas, a convivência e a solidariedade…
Pensamos que a arquitectura é uma forma universal de ordenar o mundo que nos rodeia, para a qual contribuíram, através dos tempos artistas, artesãos, cientistas, os quais – em conjunto com a população anónima – construíram obras por todo o mundo. Assim, a função principal da arquitectura e dar significado ao ambiente construído e, simultaneamente, responder às necessidades físicas e psicológicas do homem, no seu habitat. É fundamental perceber que as obras construídas são testemunhos vivos das convicções investidas pelo homem, consciente ou inconscientemente, e representam o seu «humanismo».
 
Vasco Croft – “Arquitectura e Humanismo”
publicado por tecnicodesign10m às 09:19
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